Conhecer a finalidade e as regras de elaboração do briefing contribui para a melhoria da qualidade do projeto.

“De nada adianta conhecer o adversário sem conhecer o seu exército”. Quando Sun Tzu disse isso, ele certamente não estava pensando em marketing ou design, mas poderia. Afinal um dos grandes problemas que enfrentamos, hoje em dia, é a preocupação das empresas em conhecer bem seus concorrentes. Às vezes, esquecendo da criação de uma visão comum dos objetivos, características e necessidades da empresa. Esse problema fica mais sério no caso de trabalhos que são solicitados a fornecedores como os designers, quando o nível de informação e sua qualidade são decisivos para o resultado.

Na tentativa de criar um modelo que pudesse organizar o fluxo de informações entre cliente e fornecedor surgiu o “briefing” e uma nova pergunta, seria correto afirmar que só o cliente é o responsável pela sua elaboração?

Erro fatal n°1. Os clientes têm simplificado os briefings cada vez mais, reduzindo a quantidade de informações ao mínimo. Mas eles não são os únicos culpados: os designers, muitas vezes, preferem se ver livres das amarras impostas pelas características colocadas nele.

Como briefings simplificados e incompletos podem gerar graves problemas ao designer na execução do projeto, estabeleceremos alguns pontos importantes para a sua elaboração:

Regra número 1: nenhum tempo é exagerado quando se trata da elaboração do briefing. Marque quantas reuniões for preciso. Não inicie um trabalho com material incompleto:

Regra número 2: para iniciar o trabalho é importante saber qual é o objetivo do cliente, para saber se foi solicitado o produto mais adequado. Outro ponto importante é a nomenclatura utilizada. Muitas vezes o cliente desconhece a nomenclatura correta para determinado material. Existem clientes que confundem folder com catálogo. Broadsaide, frontlight, backlight, banner, take one, então…

Uma vez especificado o objetivo, um bom briefing deve conter:
A empresa: é necessário que o designer compreenda exatamente quem é o cliente, não apenas em termos de estrutura, mas histórica e psicologicamente como a marca e a empresa se comportam. Não observar esse conjunto de fatores pode prejudicar inclusive o relacionamento entre designer e cliente.

O produto: além das características técnicas e físicas, tamanhos de embalagem existentes e pretendidos, deve permitir ao designer enxergar qual é o diferencial desse produto, qual a motivação do consumidor ao comprá-lo ou, no caso de serviços, onde e como o consumidor tem acesso a ele.

A concorrência: é fundamental entender exata mente quem é, seus pontos fortes e fracos; ou pode-se criar algo que acabe por reforçar alguma vantagem competitiva da concorrência.
O público: se o designer não tiver informação sobre as pessoas que deverão ser atingidas pelo objeto do briefing e seus hábitos de uso, nenhuma das informações que foram reunidas acima têm qualquer valor.

Nesse ponto, chegamos à questão mais difícil:
- quanto gastar? Muitos clientes não gostam de fornecer essa informação, sugerindo que se faça um orçamento após a apresentação do layout.

Erro fatal n°2. Sem idéia de verba é muito difícil elaborar um projeto que não será recusado posteriormente. A criação está vinculada à verba disponível e soluções mais econômicas, porém criativas, podem ser propostas.

Sem considerar essas informações, qualquer trabalho deixa de ser comunicação e passa a ser arte, sem qualquer relação com a realidade ou com o resultado efetivo. É comum o surgimento de embalagens que atendam aos critérios estéticos e ganham prêmios, mas causam transtornos por não serem adequadas à estocagem na fábrica.

Vale ainda lembrar que cada tipo de trabalho exige briefings com características diferentes e itens específicos, que devem ser pensados de acordo com o seu perfil.

Outro ponto importante é saber se o cliente já possui fornecedores e se, eventualmente, estaria disposto a mudar. O resultado pode ser comprometido pela falta de equipamentos adequados, gerando perda de qualidade do material proposto e, conseqüentemente, insatisfação do cliente.

Por último, lembre-se que o briefing deve ser redigido e aprovado por escrito. Essa exigência dá segurança para ambas as partes e demonstra profissionalismo.

Depois de tudo isso… ufa… Enfim podemos começar a criar. Bom projeto.

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